16.12.14

Como uma ave sem pouso

Foto: Janet Zimmermann
sobre o que sou, não importa,
pois tudo muda a cada renascer
neste circo mítico.
se sopro do verbo sou, sou, talvez,
uma espalhadora de palavras
consequência da poesia que bica
a minha constante inconstância...
mas, sinto em demasia,
estou mais para vegetal
do que para passarinho de terreiro;
mais para menina de quintal
do que para criança adulterada;
mais para flor de aboboreira
do que para estrela de roseiral
[embora abrigue uma branca
da doceira que me inspira poesia
e que volta e meia me lanha
- e depois não me assopra];
e, por fim,
estou muito mais para algodão-em-rama
em dispersão
do que para soldada de chumbo em ação.
sobre o que sou nesta roda-girante,
pouco importa.
o que vale meu selo na testa
neste círculo vicioso,
é o Amor que liberto da gaiola, aos poucos,
- debaixo da flor que tudo doura -
em palavras e obras silenciosas...
é por Ele que voo como uma ave sem pouso.

JiZ

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