9.3.13

Cora Minha
















"(...) Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. (...)"

[Cora Coralina]


guardo em mim
uma poeta que me anja.
asa branca
que intermedeia acirramentos
entre a frieza do meu discernimento
e a maciez do meu coração.
ela, a mais leve das leves branduras
e a mais forte das peitorais armaduras,
atenua minhas amarguras,
medica minhas rupturas
e me leva a lavar o chão do orgulho,
elevando-me ao empobrecimento.
em versos, confesso:
às vezes ignoro sua presença eTerna...
mas ela não liga,
finca sua haste espinhosa
e desfralda seu estandarte de paz tecido de rosa
entre as guerras de fora pro avesso e avesso-verso,
e se descorola ao vento sem veludo,
contudo, se recupera como que por enquanto,
e me vela quando me morro,
e roga socorro
ao Anjo dos anjos,
silenciosa luz divina
da Cora minha...

Janet Zimmermann

Um comentário: