3.2.13

Dó d'eu



Vai poema soturno,
abre as janelas e as portas e as paredes e rasga o teto,
deixa tudo escancarado ao céu noturno
pro clarão da lua em perigeu
(que espia pela moldura os olhos fundos no fundo deste fundo de mundo)
invadir a morada escura
e, porventura,
transmitir alguma cantiga antiga
dos trovadores daquele templo e
lavar a alma menina maculada de breu e 
branquear a rosa do peito meu...

Voa poema triste, tem dó d’eu...


Poema: março de 2011
Obra de Arte: Brita Seifert



Nenhum comentário:

Postar um comentário