17.8.12

NO TURBILHÃO DO AMOR




desconfio que as flores sabem
do olho do furacão...
e que elas carregam nos seus códigos de barras
todo o amor da Criação...
porque elas sabem dos segredos das sementes.
decoraram o tempo da brotação,
da floração...
do tempo da espera
elas sabem da solidão...
e do tempo da doação,
elas sabem da devoção...
as flores, essas cores multíplices,
cúmplices dos orvalhos silentes,
dos raios de sol,
das fases da lua,
conhecem a partitura do vento...
e quando das partidas suas,
despetalam-se sem murmúrios...
apenas entregam-se, tranqüilas,
pétala por pétala por pétala...
cismo que as flores sabem de nós,
muito além do que nós,
e que elas vêm por nós,
que nem sempre as merecemos...
para sabermos da maestria do verde,
e entendermos a missão espiritual de cada flor,
no turbilhão do amor,
importa vencermos o orgulho,
o egoísmo,
o ódio
e outros venenos encapsulados,
e, talvez, descermos à terra,
e beijarmos a terra,
e dormirmos nos braços da mãe...
quiçá tenhamos que nos devolver 
ao útero da terra,
e ressuscitarmos verdes,
e entregarmos nossas seMentes
às brisas e às tormentas...

no mirar da belíssima arte de Margareth, isso me veio.
assim creio...


JanetZimmermann 
Obra de arte: Margareth Cendón


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