19.6.12

EMBARRO(S)-ME IV















Nas redondezas desta cidade-campo,
um poeta-menino inventa maravilhanças...
Longe e perto,
respiro seu mesmo ar de aberta infância...
E me revolve um sentimento que me existiu
e eu não soube admirá-lo...
Era uma felicidade tão intensa e natural
que não cabia definição,
mesmo porque não havia tempo de mirá-la,
pois ela também brincava de se esconder com a gente,
por trás dos túmulos, no escuro,
sem medo de assombração
ou de qualquer outra intimidação...
Aí me vem que felicidade pura não enxerga maldade.
E a gente vira adulto quando a vê...
E sem querer rompemos a fina divisão
que separa anjos de homens.
Daí penso que seja essa mesma linha
que separa o poeta-aMor da grotesca realidade...
Nessa hora escura em que Querubim de Barros descreve levezas
e meus olhos pesam sobre as cruezas,
- mas a latência quer concluir o carinho -
quero dizer que seu toco de lápis, a bem da verdade,
é seu tempo bem gasto em profundidades...
Além disso - como sei que ele sonha de ser passarinho -
deixo declarado que do lado debaixo da linha,
cá dentro deste infante ninho,
Bem-te-vi me é desde o primeiro trino...


JanetZimmermann
Campo Grande - Mato Grosso do Sul


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