9.5.12

FILHO



Tento um poema...
Na ânsia de sabê-lo
amanheço e anoiteço
revirando meu avesso...
Acordo as estrelas
e num minuto
descambo ao ninho
do tio Nequinho,
e acrescento pedra, rio
e rio,
choro,
corto as arestas,
acrescento setas,
desalinho,
perco o lápis,
le désespoir,
tropeço,
me descabelo
e anoto um verso
no verso do cheque...
Vou à etimologia,
à filosofia,
esqueço as rimas,
aplico a nova regra gramatical,
dou um rasante no pantanal,
bordo a graça das garças,
abro fendas,
lavo, engomo, passo,
transpiro poesia...
Estendo a fina cambraia,
acrescento rendas,
dou um acabamento perolado,
coloco nesta brancura
meus sonhos amanhecidos,
douro-os no verde,
persigo os adjetivos,
crio verbescências,
abuso 
do meu quê de loucura.
Paro,
respiro,
repenso...
Ó torturante ternura!
Reviso,
Dispenso um pranto,
quase desisto,
logo, volto trazendo a calmaria
da chuva fina...
Passarinho uma estrofe
e um anjo poeta me atenta,
e ouço o sino
da capela latente
alertando-me a dizer
algo do onipotente.
E transcendo,
e amo,
e volto ao chão...
Coloco um pedido de perdão
naquele verso vão...
Alivio meu coração...
Enfim,
às duras penas,
dou luz ao poema!







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