3.2.12

UM SONETO DO MEU SAUDOSO PAI

CANTARES

A criança feliz adormece sorrindo,
Sonhando com fadas, anjos e flores.
Morrendo e cantando sua vida d’amores
Expira a cigarra, do mundo sumindo...

Batendo na praia o mar também canta
Seu canto bravio, seu canto de dor.
Cortando distâncias, sibila e espanta,
O vento impetuoso, em crescente furor...

Sereia dos mares, teu canto seduz,
Seduz e maltrata o barqueiro da vida...
Sereia do mundo, teu canto é uma cruz!

O poeta cantando, nas cordas da lira,
Uma trova de amor à donzela sonhada,
Nem sonha e nem vive, somente suspira...


Agenor Zimmermann, 01/08/1970
(10-12-1918/26-11-1984)








No colo do seu Agenor, fingia dormir, enquanto ele lia e escrevia ouvindo Vicente Celestino e belíssimos tangos argentinos...


Faz tanto tempo...
Foi ontem... 
Está aqui,
Próximo da minha mão,
No tempo que volta
Nos meandros do coração...
Quase posso sentir
O cheiro do afeto
Na hora de dormir...
Sinto o roçar da ternura
Na hora da dura labuta...
Percebo, nesta hora criança,
A transformação da dor
Pela cariciosa esperança,
Dizendo-me que logo ali,
Bem pertinho daqui,
O céu abençoa este amor...

[SENTIMENTO FILIAL-jiz]





Nenhum comentário:

Postar um comentário