23.1.12

TORMENTA BRANCA









[Imagem: Nasa]


Neste momento não sei o que dizer ao papel...

Às vezes sua brancura anula meu querer.
Está tudo branco,
Meu pensamento e ele,
secos de cor, de vida...
E é quase fevereiro...
Brancura total é um anti-carnaval...

Noutras,
seu branco santo
expurga meus pecados.
Branca hóstia...
Curativa...
Graça do céu...
Sombra dos anjos?

Por falta de inspiração,
caio na obsessão...
Não sei que alvacenta loucura me invade...
Não suporto mais este nada encruado
a me olhar enviesado,
este branco blasé,
solitário,
sem janela,
sem jardim,
sem horizonte avermelhado,
desprovido de plenas plumas,
de bicos,
de cantos,
de criança,
de carinho,
de riso de amor...

Preciso sair deste torpor...
Preciso livrar-me deste deserto
e fazer algo,
derramar uma lágrima,
marcar com batom,
fazer um rabisco,
uma ranhura,
uma caligrafia,
deixar um traço azulado,
dizer um oi amarelado,
um rá!
um hei!
um olá!
um você...
sei lá,
um desespero qualquer,
quem sabe um pingo,
um ponto...

Um sinal puro, angelical,
salvará o papel
do abismo
da brancura total...
                    .

Pronto, caiu uma estrela dentro do sonho!

jiz




Um comentário:

  1. Mesmo com a falta de inspiração, fizeste um magnífico poema.
    Gostei imenso, Janet.
    Beijo.

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