11.1.12

POEMA DA LUZ

claridade artificial me mantém acordada
até agora...
até o início disto que nomeio
POEMA DA LUZ...
da luz que me faz observar,
como uma meditação,
meu lápis percorrer o vai-e-desce das linhas,
que me faz sorver minhas próprias palavras
caindo do pensamento, gota a gota,
como chuva mansa, sobre este chão virginal...
que me faz reconhecer nos versos rabiscados,
aquilo que se esconde por dentro,
por pura falta de tempo...
que me faz olhar, admirada,
o aparecimento das primeiras manchas senis
e das primeiras rugas metidas
tomando espaço em minhas mãos,
sem meu aval...
da luz que torna visível
meu horizonte emparedado de ninho,
que alumia
até a bunda daquela abelha
que entrou sem pedir licença
e tira minha paz de estar...
da luz que clareia
a futura faxina naquela teia,
que evidencia o trilheiro
das noturnas formigas,
da luz que me faz ver
o que há de supérfluo,
de útil e belo
no nosso comum espaço,
da luz que me faz assistir
o compasso de teu respirar,
de reparar o charme
dos teus primeiros cabelos brancos....
do facho que ilumina como um dia
o menino do teu sorriso...
que me faz enxergar a luz acesa
dos olhos teus
sobre a luz dos meus,
acendendo minhas lâmpadas internas,
reacendendo minha vontade de amar
com a luz acesa,
outra vez...
da luz,
do sol que assiste tudo
até o final...
jiz


Um comentário:

  1. Muito bonito este poema feito de luz. A frase temática do blog também.
    Bjs
    Adriane Bueno

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