6.1.12

CABE AMOR NUMA BOLINHA DE SABÃO?

Sonhei com bolinhas de sabão.
Num momento, eram bolas azuis, lindas, vivas... Havia algo de encantamento.
Noutro momento, Juliana, sorridente e amiga, cutucava a haste de um cacto e dali brotavam minúsculas bolinhas de sabão...
Acordei feliz com isso. Não sei explicar por que. Talvez por ter sido incomum...
Daí penso que foi um sonho bom, de amor, pois me fez imenso bem.
Então me pergunto, caberia amor dentro d’uma bolinha de sabão?
Penso que sim, pois coube no meu sorriso...
Aí me revolvem questionamentos, sentimentaria, pensamentarada...


Amor
é do tamanho do mar que cabe no rio.
É da largura do infinito e cabe na palma da mão.
Cabe na pena que sustenta meu travesseiro.
Cabe no bico da minha pena.
Cabe nos receios dos pais ao deixarem seu filho partir.
E cabe na vontade do filho regressar.
Cabe nos incontáveis grãos de terra que formam a terra.
Cabe na rotina do girar do planeta, milênios e milênios por nós.
Amor cabe na Roma invertida. Advertida. Reconstruída.
Cabe na poesia da chuva fina.
Cabe na crina do cavalo da pradaria.
Cabe na prataria da noite enluarada...
Cabe no trabalho organizado da formiga,
na folha que se entrega como comida.
Cabe no peixe, na ave, no boi, que na crueza da dor,
também entregam suas carnes pro nosso faminto deleite...
Cabe no leite,
cabe na insônia da mãe,
cabe no pólen,
no mel,
nas filas de clorofilas,
cabe na ameba,
na lesma,
no mofo,
na escuridão que nos ensina que a luz é necessária e melhor...
Cabe na importância dos ossos que sustentam este corpo, pela alma colocada no jogo, pelo aprendizado do próprio amor...
Cabe no amor que não cabe mais em mim,
que evapora, neste momento, pelos meus poros,
que me enamora...
E segue pro abismo de alguém que me olha
com a traspassada esperança do prato cheio de amor, 
alguém pelo qual necessito bem mais...
Cabe na seiva,
no fruto,
no sangue que se oferece vermelho pela identificação do perigo real.
Cabe nas asas do ar que tudo inunda.
Amor cabe e explode na infinita estrela brilhante
que contém a prestante tarefa divina
de clarear as trevas dos justos pobres
e dos pobres injustos de todos nós.
Cabe na joaninha,
no caramujo,
no percevejo.
Cabe no carinho demonstrado no inexplicável beijo. 
Cabe no adulto que zela a criança
e no desejo do idoso em voltar a ser criança.
Cabe nas criancinhas de Cristo Jesus.
A Lei do Amor coube naquela cruz...
E nesta gota envenenada de amor que ora choro,
cabe o sentimento do infinito afora...
O amor cabe numa palavrinha de quatro letras,
esmiuçada nas mãos dos poetas,
mas não cabe nas quatro do ódio,
nem cabe na guerra, de seis,
nem no mal, de três.
Cabe infinitamente na caridade, de oito.
Cabe no custoso perdão, de setenta vezes sete...
Cabe na raiz do pelo da ariranha,
cabe na teia da aranha.
O amor cabe na ulcerosa ferida da corrigenda, dolorosa e necessária.
Cabe na cura, no remédio das mãos, mães que curam as chagas do orgulho e do egoísmo.
No desleixo, na preguiça, cabe não...
Cabe na límpida água e no lamaçal da renovação.
Cabe no cordão umbilical,
mas não cabe no umbigo que olha o mundo
em torno do próprio e cego seu.
Cabe até mesmo no nímio desnecessário que, pelas suas quireras, alimenta ínfimo mínimo...
Cabe no diamante mais lapidado
e cabe no bruto carvão.
Não cabe na hipocrisia da qual Jesus não gostava,
que alimenta o balanceado cão
e deixa à míngua e à morte da rua,
seu irmão do chão,
cabe não...
Não cabe na exaltação da violência.
Jamais caberá na palavra insolente,
no palavrão da moda,
no desrespeito mútuo e vão.
O amor não cabe na traição...
Na formiga ou no elefante,
o amor não escolhe tamanho,
ele se instala, toma forma de ninho,
de coração,
toma forma de amor...


Quimeras, bolinhas de sabão?


jiz

3 comentários:

  1. Cabe no silêncio da infinita gratidão, de quem um dia teve um sonho, e o transformou em resposta para tanta oração.
    Te amo, Janet!
    Beijos e afagos meus.

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  2. Se você não se importa... Voltarei sempre aqui, para lembrar que em meio a tanto caos e dias que o pranto insiste em rolar... Pode haver amor até dentro de uma bolinha de sabão.
    Gratidão infinita!
    Beijos, Querida Luz!!!!

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  3. Se apareceste no meu sonho, querida Juliana, não deve ter sido em vão... com certeza foi um recado da Luz!

    Volte sempre, o chão é seu... Porque aqui estará sempre meu coração e a alegria da bolinha de sabão...

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