3.12.11

POR TERRA


Entre os galhos o clarão formava raios visíveis aos olhos traspassados de caminho. Servia-lhe como uma energia reconfortante, um alento... Precisava seguir. Nem mais observava as flores do acostamento, nem as douradas borboletas. Nem os estalos das vidas secas ouvia. Às vezes percebia um cantar ou outro que perturbava seu claustro silente. O que outrora lhe soava como música fina, hoje lhe era sibilo impertinente... Queria mesmo era ter asas, cortar caminhos, adiantar as horas da felicidade... O fim da estrada urgia-lhe em urros cavernosos. De quando em vez deixava seu coração soltar o grito pra fora da dor. Não podia aprisionar para sempre a voz d’alma às correntes pesadas do cárcere murmurante... Sucessivas e intermináveis linhas de horizontes torturavam-lhe a fronte. Os pés nem lhe doíam mais do que su’alma sedenta e fria... E tinha pressa em atravessar a ponte, pois seu único amor, de beijos, de afagos sinceros, esperava-lhe ao poente. Sua essência lá já namorava. Seu corpo calejado se arrastava como um animal torturado... Era dia. Enquanto desesperava sonhos perdidos, o sol brilhava sobre os anjos e aflitos... Era noite. Enquanto escoava um regato, dormiam tranqüilos os passarinhos... Era Natal... Enquanto arrastava o fardo da solidão, a vida prosseguia contornando rosas, presentes, espinhos...

jiz

imagem:patriciarcassimiro.blogspot.com 

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