10.12.11

IMAGINATIO I


Vou pro meu canto. Aninho-me. Por ora prefiro ficar com meu silêncio. Ele é cheio de canto. Aqui as imagens conversam intimamente comigo. Elas vão se achegando, de mansinho... Dão-me uns dedos de prosa. Adoro prosear. De prosar, também...
Então me vêm rios. Falamos de canoas, pedras, cipós.
Depois vem assunto de vôo. De repente nossa conversa é banhada de azul e brancura nevoenta. Esta imagem me umedece... E conversamos sobre a imensidão.
Depois verte um verde sobre tudo. Sustentada pelo clorofilado braço, uma rosa branca nasce em mim. Estrela arabesca vem do fundo da terra e me perfuma de consolo... Se pudesse, captaria esta imagem...
Então ela vai virando mar...
mar de cá
mar de mato
ver’de ver
de reverdecer
de verde mar
de verde ar
verde & ar
arvorear
arvorar
ar/voar
arara ao ar...


Imagens: http://www.fazendabaiagrande.com.br/


IMAGINATIO II



E nossa fala começa a escurecer...
Vamos pr'onde o sol descamba e doura a linha do céu.
Aqui a paisagem me toma. Deixo-me arrebatar. E vejo que sou tão pequena, que tudo é ínfimo diante de extremada beleza.
Agora o rei de despede dos seus súditos. Que momento espetacular!  Suas lavas incandescentes escorrem pelos campos do mato sul, deixando vermelhinhos até mesmo os olhinhos dos passarinhos...
Tomamos por tema a importância da energia solar para todos os organismos existentes e fenômenos meteorológicos. Depois eu digo que sinto algo mais. O intraduzível que vai além da emoção vermelho-alaranjada. É um sentimento saudoso onde relembro meus antigos queridos.
Além dos matizes, o que mais me fascina é a beleza de não sabê-lo. De não compreender exatamente o que há de alegre ou triste no pôr-do-sol...
Sinto a incompletude da vida...
aquilo de ser, não sendo
de estar, de passar
do certo incerto
de ser tudo e nada ser
do nascer e morrer
desmorrer?

Talvez a maravilha do ocaso seja justamente isto, de sentir imensa pequenez diante da luz que nos remete à Luz Maior...
Então eu lembro que tenho que voltar. Despeço-me das imagens felizes, feliz.
E que saio da poesia e entro pro mundo cheio de realidades cruéis. Sei que não acompanharei seu rápido passo...

jiz, 11/12/2011.


Um comentário:

  1. olá janet...

    parabéns por teu espaço no blogger... é de muito bom gosto... quanto aos teus textos, defino-os como excelentes! passarei sempre por aqui...

    beijos no coração...

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