19.12.11

O POETA, EU E O RIO


Homenagem aos 95 anos do poeta Manoel de Barros

Dezenove de dezembro de dois mil e onze. Penso parabéns pro poeta mil vezes amado...
Um anjo me invade...
Seu sorriso fininho d’olhos de passarinho alaga os meus de carinho...
Ouço uma pedra reclamar saudade de rio... No meu sonho encantado, o poeta-menino me diz que pedra sem musgo é sapo morto. Rimos timidamente e brincamos de natureza. Com pregos e sabugos construímos estranhezas. E desconfiamos que Deus nos espia por trás da mata fechada. Fazemos um sinal da cruz bem ligeiro, pelo meio, e descambamos pelo trilheiro...
Tudo dá em rio. O poeta e o rio, e meu sonho metido no meio...
Enquanto penso que o rio devaneia como eu, a porteira do alagado abre-se em largo sorriso. Menino de Barros entra n’água macia, assoviando como quem quer acordar videssências... Então o vento faz coro com ele.
E vão se ajuntando outros cantos coloridos. Uns grandes, outros brancos, outros miúdos.
Borboletas se engajam a transparência.
Liberdade também se bandeia pro lado deles.
E tudo vira uma felicidade só. O dia é paraíso circundado de espelho...
Encanto-me com o menino das águas. Entonteço de amor...
Manoel maximiza minha criança.
Manoel minimiza minhas dores.
Manoel de Barros me meniniza...


jiz



Um comentário: