28.11.11

VIDA REVERSA

A vida moderna anda muito cheia de realidade. Não consigo acompanhá-la pois sou avessa à inquietude de concreto... Um dia inteiro de banco, asfalto e borracha faz-me sentir saudade da vidinha ocupada de imaginação, de alucinação de asas.
Sou um ser a mais a olhar pro infinito, a suspirar um não sei quê que já não cabe. 
Sou uma natureza pequena que sonha verde, azul, beija-flor, estrela...
Realidade que me corta é pensar que a chuva se foi e o rio arrastou casas e ninhos.
É pensar no que resta depois do vendaval. Na fome que boia nas tábuas, nas criancinhas peladas, nos velhinhos secando suas vidas abandonadas, nos cachorrinhos, no que sobrou de um pobre passarinho...
É tomar atitude de chão e perceber que os grãos de areia são poucos pra se construir imenso castelo...
Então escrevo chuva no poema. Pingo turvo sobre os versos.
Sou uma imagem que se derrama no branco.

jiz

Imagem: andrevruas

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