23.10.11

VALIDAÇÃO


será que valeu?
valeu um pila,
valeu um dia,
valeu um quinhão?
do tempo dos meus avós,
valeu um tostão,
um vintém?
será que valeu um vale,
valeu sequer o real olhar de alguém?
valeu remoer?
valeria voltar atrás,
retroceder?
houve valimento
naquele sentimento?
valeu o suor no feriado sem sol?
valeu os domingos sem pássaros em arrebol?
valeu-me colocada esperança?
valeria a triste lembrança?
valeu o presente,
valeu o anel?
valeu o poema sobre aquele veleiro de papel?
valeu a tinta naquela folha?
valeu a pena?
valeu a árvore triturada,
Valeu o trabalho de calejadas mãos?
valeu o tempo devotado em atenção,
em choro,
em ranger,
em taquicardia,
em pronto socorro? Socorro!
valeu tanta dedicação se nada acrescentou?
afinal, valeu carregar o fardo de um,
de dois,
de dez ingratidões?
valeu tanta promessa,
tanta rogação,
valeu descompassada pulsação?
valeu a ilusão do amor que nunca existiu?
se valeu um centavo,
uma barra de ouro,
uma palha,
um milho,
um milhão,
o que importa aos olhos do mundo, o coração?

valeu o valor do perdão?

valeu aos vossos olhos, meu Pai?
então valeu, da cruz pesada,
a eternidade da paz...

#jiz




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