14.9.11

POEMA VÃO




Nada...
Nem mesmo os quatro vãos
de desocupada mão,
são vãos...
Nem os mis vãos
dos pelos
do bicho-preguiça
e do macaco-prego
ou de qualquer cabelo branco
alisado a ferro,
encrespado a dedo,
colorido, oleoso...
Nada posto
foi posto em vão,
pois todo o posto
vai além dos vãos
dos nossos olhos de curta visão...
Nada
é
em
vão...
Nem mesmo os vãos lamentos...
Nem o vão do peito de meigo amor...
Nem os latidos do cão sarnento
ou o rastro luminoso da lesma
à caminho do derradeiro sol...
Nem mesmo o eco triste
do meu próprio grito
pelos quatro cantos
do salão
da solidão...
De vão,
somente este vão
momento
destas vãs palavras,
publicadas em vão...


#chaodejiz
ao @MauditoPoeta


...porque amigos do lado esquerdo têm os olhos de sentir...







Um comentário:

  1. tem horas que tudo é espaço sem perspectiva de preenchimento.

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