6.9.11

PALAVRAS DO SOL




Repouso a solidão sob o sol da manhã...

Dele me vêm palavras
- leves folhas soltas ao vento,
bailando cintilâncias de asas.
E me sobrevêm os bons pensamentos
pelos poros,
pelas janelas abertas,
pelas frestas dos olhos,
reacendendo as sobras dos sonhos
abandonados à tapera da sombra,
aquecendo-me gelado coração...
Tento esquecer as hortênsias do passado.
Deixo-me inundar de canto alvissareiro
e do brilho recortado da costela-de-adão.
Meigas margaridas perfumam o alargado aposento
farto de tapetes clorofilados,
contornados pelos crivos das rosas aveludadas,
decorado com as mais variadas cores
borboleteantes...
O encantamento se completa
na visão do pólen abundante,
nas abelhinhas se esbaldando de néctar,
cumprindo seus vai-e-vens...
Esqueço os ruídos dos homens.
Agora tudo brilha dentro de mim...
É vida que reluz além da ferrugem do frio...

jiz






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