20.9.11

JÁ ESTAVA ESCRITO




porque poesia é desesperar-se por qualquer toco de lápis...

preciso ir...
Morfeu me chama à cama dura.
mas sinto que elas me espiam
com seus olhos vampirescos
pelo buraco da fechadura.
palavras me olham.
palavras entreolham-se.
invento que durmo...
aqui a pensamentarada me assombra.
uma vontade louca de rabiscar
atormenta-me a idéia de levantar.
viro-me.
reviro-me.
desviro-me / desgrenho-me / esbugalho-me...
e se amanhã, isto que está pronto resolver não voltar?
que farei do meu desinventado poemar?
e agora, Josefar?
um poema deixará de nascer,
de crescer para frutificar, quiçá,
ou mesmo pra se engavetar, sei lá,
seja lá...
como um filho,
deixarei de sabê-lo...
um poeminha
ou poemaço
não existirá no espaço!
meu coração não baterá
no seu,
no seu,
de ninguém,
ou de mais alguém...
alguém, um lápis, por favor!



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