24.8.11

RENDIÇÃO



já guardei a louçarada.
já guardei a rouparada.
guardei a filha mais querida.
e guardei os longos beijos do eterno namorado.
guardei o namorado.
guardei as pilhas.
os alvos dentes.
guardei o rosário e as cinqüenta ave-marias.
guardei as saudades no baú do vento
e as lágrimas no mar de dentro...
guardei a imagem do meu irmão no caixão.
guardei a familiarada 
e o canto da passarada no ninho do coração.
tento guardar a pensamentarada
e suas preocupações com o futuro.
tento esquecer as mazelas, eu juro.
tento resgatar acumulados perdões do porão.
como guardar a fome do irmão,
perambulando na noite escura, no chão?
guardo mais um suspiro na caixa da palpitação
enquanto Morfeu, enfim, abraça-me nos seus confins.

Jiz – 24-08-2011


"Lembrei porque Janet Zimmermann guardou a louça e a rouparada."
Carinho da querida Cleonice A. de Paula do Grupo Poemagite-se.

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