6.7.11

PORTA À FORA

O que dizer
nestas linhas vazias
em que meu pensamento não aflora?
Dizer que a mão
que segura este lápis de agora
é meu forte sustento,
que este braço dolorido
é o pão nosso da hora?
Posso dizer que estou realizada
com o dia repleto de poesia,
de lar,
de café passado na hora,
do jantar com a família reunida e alegre,
do crochê,
das palavras-cruzadas,
da casa arrumada,
da caminhada da tarde,
do marido amoroso,
da filha, nosso tesouro...
Enfim,
dizer que sou feliz
da porta pra dentro...
E que,
porta à dentro do coração,
preocupo-me com a vida lá fora,
com o frio,
com o frio,
com o frio,
com a fome,
com a fome,
com as drogas,
com a violência
e toda a depravação
correndo frouxa,
mascarando solidões, etc. e dores...
Dizem que todo o poeta mente.
Não sei se sou poeta,
mas penso que é pura verdade...
O que posso escrever, por ora,
de mais relevante,
nestas linhas de agora,
é que um poeta cem por cento,
não mente,
nem inventa que não sofre
pelo seu irmão da sarjeta
que morre de fome e de frio,
lá fora, nesta hora...


[jiz]

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4 comentários:

  1. Li....reli...me encantei, chorei, sorri.
    Mas hoje parei aqui, me comovi, encantou os versos que dedilhou, aflorou. Realidade de mim, de ti...senti...a dor do irmão querido? Será? Por quem? Ele não tem mais ninguém, só a sargueta, sua fome, seu friooo, sua dor!

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  2. Querida uma emoção estar aqui...passe em meu blog. Levei um pedacinho de você comigo, que bom. Assim tenho você mais perto....beijos em seu lindo coração, Bia.

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  3. Bia, querida Bia!! Grata pela sua forte e carinhosa presença...Este Chão está à sua disposição, conterrânea amiga...Apareça sempre! Tudo farei para que este espaço seja, na sua essência, uma imensa tertúlia!!

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  4. Assim seja!
    Luz na sua linda caminhada....
    beijinhos...Bia.

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