2.6.11

SUB UMBRA - Múcio Teixeira

Tenho a honra de postar aqui um trecho da poesia de Múcio Teixeira, bisavô do meu marido Múcio...considerado um dos poetas mais fecundos e esquecidos da literatura brasileira. 


















[Múcio Scevolla Lopes Teixeira - 1888]




"Que pallidez, meu poeta,
Se estende na face Lua!...
— São os raios descorados,
Os alvos raios da lua."  (Castro Alves)


Era á Ave -Maria.
A mudez do crepúsculo é eloquente
E cheia de poesia.
Esse momento vago, indefinido,
Em que a luz bruxoleia mansamente,
Assim como um segredo
Que a donzella, sorrindo, diz a medo.
Baixinho, ao nosso ouvido...
Ás almas fala e enche a soledade
De sombras, de tristeza e de saudade!
Voltam, cantando, aos lares socegados
Os honrados plebeus, ora pensando
Nos filhos adorados,
Que para elles são
As rosas em botão
Das roseiras de amor, sempre orvalhadas,
Pelas mãos das esposas transplantadas
De um coração para outro coração.
Donzellas, almas ricas de esperanças!
É bella a vossa coroa virginal,
Porém, ha uma cousa
Mais bella ainda: a esposa,
Anjo do lar — que a aza maternal
Estende sobre o berço das crianças!...
Junto duma colina, ao pé dum lago,
Límpido espelho a reflectir o espaço.
Onde as estrellas com seu brilho vago
Tremem, á noite, como em chapas d'aço
As rosetas do sol, vivas, doiradas,
Como pontas de lanças afiadas ;
Alveja entre arvoredos murmurantes
Uma alegre casinha — que parece
O ninho em flor de juvenis amantes.
Cuja existência venturosa esquece
A vida das cidades
Deslisando naquellas soledades
Os socegados dias,
Como si de um collar de felicidades
Fossem se desfiando as alegrias...

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[Mantida a ortografia da época]

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