25.6.11

O QUE SINTO QUANDO O MAL PRESSINTO





                                                
MÃOS EM ORAÇÃO [ALBRECHT DÜRER]


Novamente o indefinível sentimento a me visitar. 
Veio dar o ar da desgraça...
Sem pedir licença, entra e baila negra garça. 
Lá fora também venta asa de estranheza.
Aqui dentro tudo cai, tudo quebra, 
Vaza 
Água da pia, da cozinha, do banheiro, 
Água, 
Água, aguaceiro...
Sinto medo desse mau agouro...
A ventania agora lembra um profundo lamento. 
Passa uma imensa sombra em agitado movimento...
Em lufadas, fala sobrenatural idioma...
Não sei, não entendo, apenas sinto...
O presságio anuncia algo de inevitável e tristonho...
Mas o que? 
Aonde, se é prescrito? 
Com quem? Na família, um padecimento?
Na família da terra, uma enchente, 
Mais um desabamento, 
Uma bomba, outra usina nuclear em vazamento? 
Já não bastam as tragédias tantas, 
Pessoais e coletivas?
Respiro fundo... 
Uma, duas, dez vezes, 
No quartinho dos fundos. 
Rezo... 
Vela benta. Sal grosso. Incenso...
Vento, vento do mundo, 
Não sei o que é,
Se nada posso fazer, 
Suplico-te,
Não apagues a chama da minha Fé!

 [jiz]

3 comentários:

  1. Algumas palavras.
    Não são minhas pra te dar.
    Entenda minha fraqueza.
    Meu jeito confuso de andar pelo ruas.
    De tocar frases e ressuscitar templos caidos.
    Meu anjo cansado ainda me ouve.
    Ainda durmo com um pouco do sagrado.
    Minhas mãos unidas justificam
    minha consciência.
    Tenho pressa mas vários caminhos passam
    por mim.
    A chave que caminha comigo está pesada.
    A navalha insiste em mostrar o fim do enigma.

    Rodrigo Passos

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  2. olá janete...
    teu blog, teus poemas, enriquecem a web, meus parabéns... grato ao meu amigo cleber por indicar-te... estarei indicando-te em meu blog...
    beijos no coração...

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