11.4.11

TRISTE MEMÓRIA DO DEDO EM RISTE

Lembra, medo
dos meus incontidos
choros de medo
do teu escuro,
no fundo do poço do berço,
nas sombras,
fantasmas paredes?
Lembra, medo
daqueles domingos
nos parques, 
em que assombravas
os tenros passeios
com seus tolos medos,
aprisionando meus
belos anseios,
cercando-me
de cegos muros?
Medo,
tu tinhas medo de tudo!
E, quando tentava
enfim, libertar-me,
dourada borboleta,
sempre vinha um alguém,
um intruso de ti,
obscurecendo meus dias,
envolvendo-me
em peias teias...
Contudo, medo meu,
em meio a tudo,
meia-meia
meia-taça
meio-amor,
cresci,
novo destino reescrevi...
permiti-me
ao profundo
suspiro de alívio
de expor-me completa
às rajadas, às ventanias
nas asas libertas,
sem tiranias,
leve
sob o sol,
solta
às luzes
do novo dia...


[jiz]






“Quando o sol bater na janela do seu quarto, lembra e vê que o caminho é um só.” 
Legião Urbana


 11/Abril/2001

3 comentários:

  1. ZIMMERMANN, eu vi tantos medos passarem por mim, mas nunca tinha visto medos tão grandes assim. Ainda bem, que o medo nos dá coragem, pois de um jeito ou de outro, temos que continuar a viagem.
    Abraços de Cássia-Sudoeste de Minas

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  2. Doce poeta Oliveira, que bom você por aqui, sinto-me honrada!
    Este medo tem um pouco de "inventação"...como já disse o mestre Chico Buarque "tudo mentira, tudo mentira"...fiz este poema para participar de um concurso literário sobre o tema "MEDO", por isso a teatralidade...na verdade, meu medo de infância era de aranha na parede...medo medonho!! Abraços de Mato Grosso do Sul!

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  3. Adorei seu blog e estou te seguindo. sucesso querida@! Beijos!!! Luana Costa.

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