26.4.11

Mutações - Por Gilson Fubá



Venci mais um verão
que insistente, avançava soprando
seu hálito quente sobre o outono.
Estranho o tempo em nós. À medida
do vivido, os anos passam quase instantâneos
enquanto as estações permanecem
paralisadas. Letárgicas. Insuportáveis.
Parece que envelhece conosco
a paciência. Não tolero mais
o calor, o frio, a chuva, a estiagem
que teimam em permanecer.
Jogam comigo o jogo da eternidade
onde perde quem morre primeiro.
E eu agonizo. Afogo em maus humores
e morro de saudades da estação
a pouco odiada. Inútil olhar o calendário
humano. O planeta, onipotente
segue seus próprios humores.
Mas nesta tarde, findar de abril
O verão depõe suas armas.
O outono regozija vitória, e eu
renasço, mais velho
e cada vez mais lunar. Amante
das mutações constantes.

Admiro muito este poeta!

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